02/05/2014

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QUADRO DE INCENTIVOS

Bom dia Mamães,

É sabido que com a chegada do segundo filho, a atenção da mãe vai toda para o recém nascido que precisa e depende exclusivamente dela.
E em casa não foi diferente, a Ana Júlia chegou, além de ter toda a minha atenção, eu ainda tinha a questão dos pontos da cesárea.
Na época João Pedro estava com 2 anos e 8 meses, iniciando o processo do desfralde e de largar a chupeta. Não falava muito, era bem fechado, principalmente em relação à escola. Da família paterna primeiro neto, bastante mimado por nós e pela família, do meu lado era o quarto neto, mas também bastante mimado por ser o que mora mais próximo dos meus pais.
Quando chegamos em casa com a Ana Júlia a colocamos no colo dele, ele adorou, fez carinho, sempre teve e demonstrou muito amor pela irmã, a própria pediatra e outras mães sempre me falaram para interagi-lo me ajudando, e eu sempre pedia sua ajuda, pra trazer uma toalha, pegar uma fralda, ajudar a cantar pra ela, enfim uma forma dele estar próximo a mim. Com a família, combinamos de sempre darem atenção primeiro pra ele e só depois pra Ana Júlia, mesmo com todos esses cuidados, dicas, diálogos durante a gestação, o ciúmes veio a tona feito um vulcão adormecido que da noite pro dia entra em erupção.
Mas em casa e com a irmã ele era um doce, o problema todo foi na escola, onde ele achou um meio de extravasar. Inúmeras mordidas nos amigos, socos, arranhões, fugas das atividades, não queria mais entrar na escola, chutes no portão, nas grades, total falta de interesse e participação em sala. A escola percebendo primeiro que a gente de imediato nos chamou e começou a relatar o que vinha ocorrendo, falamos também com a pediatra e todos nos aconselharam a buscar uma psicóloga infantil.
De início, foi um choque, eu tinha e admito um certo preconceito por psicólogos, ficava pensando o que vai resolver pra uma criança que mal fala? (total ignorância a minha).
Com muito receio, segui a indicação da pediatra e iniciamos o tratamento com a psicóloga.  Para minha surpresa adorei, o tratamento foi mais com a gente do que com o João, em como lidar com ele, como lidar nos momentos das birras, nos momentos de falar os não pra ele, o João era uma criança que não aceitava os nãos da vida e não sabia lidar com as frustrações.
Lógico que tudo isso demandou tempo, não foi da noite pro dia, estamos há 1 ano e meio nesse tratamento. Nesse período o João foi amadurecendo também, aceitando a irmã, percebendo que tem lugar para os dois em tudo.
Bom, quando tudo parecia de certa forma resolvido, o João teve uma recaída brusca, mas desta vez foi somente na escola. Agressivo de novo com os amigos, funcionários, desobediente, brincava só. A psicóloga chegou a visitar a escola, conversou com a coordenadora, e foi então que ela nos passou o método do quadro de incentivos.
O quadro de incentivos consta de uma tabela de estrelas, medalhas e finalmente o grande troféu.  Para ganhar as estrelas diárias o João tinha que ser obediente na escola, não bater nos amigos e nas tias e ser obediente em casa. Quando digo obediente não estamos falando em robô ou um fantoche de marionete manipulado, estamos falando de uma criança que assim como nós, também tem dia que acorda de saco cheio, estressada, cansada da vida de loucos dos pais. Sempre que ele completava o quadro de estrelas, ganhava a medalha e um chocolate e quando completasse tudo, ganharia o grande troféu e a recompensa um dia na Toca do Castor, um parque indoor com muitos brinquedos.
João se transformou, outra criança e nós também, cada vez fomos ganhando mais experiência com o auxílio da psicóloga e em como lidar com ele.
Na escola é um excelente aluno, participativo, comunicativo, claro que ainda tem os dias e isso é absolutamente normal de uma briguinha com o amigo pela disputa de um brinquedo, uma atividade que não queira participar por conta do cansaço ou soninho, enfim coisas normais de crianças, mas não mais a agressividade que havia antes por perder a brincadeira por exemplo da dança da cadeira, isso antes era o fim pro João, ele se descontrolava, hoje não, graças ao trabalho conjunto da psicóloga, escola, pais, hoje ele tira de letra e hoje nós tiramos o chapéu para os psicólogos que fazem um trabalho fundamental na vida do ser humano.
Seguem fotos do nosso quadro de incentivos e do dia na Toca do Castor.



Após o retorno pra casa de um dia divertido, pensei meu Deus como será agora sem o quadro de incentivos?? Vai voltar à estaca zero?? Mas para nossa surpresa continua tudo dentro do eixo, a psicóloga já está até espaçando as consultas, me deu até um aperto no peito, logo eu que tinha receio, agora tenho medo de não ir à psicóloga eheh. Mas, agora estamos com a sensação de que nosso filho está verdadeiramente feliz, crescendo, aprendendo, amadurecendo e levando consigo os princípios da boa educação e índole que eu e o pai dele recebemos dos nossos pais. E pra gente mesmo o mais importante é ve-lo crescendo feliz.

Bjs Lu